Primeira captação de coração em Dourados é realizada no Hospital da Vida e órgão vai para São Paulo

Por Estado Notícias 13/10/2017 - 07:50 hs

Foi realizada no início da noite de quarta-feira (11), a primeira captação de coração na história de Dourados.

A retirada do órgão foi acompanhada por 11 cirurgiões do INCOR (Instituto do Coração), de São Paulo, que aterrizaram às 17h50 dia 11 no Aeroporto Municipal, além de mais dois jatos fretados exclusivamente para o transporte dos órgãos doados pelos familiares de um adolescente de 17 anos. Ele teve morte cerebral, após acidente de moto em Laguna Caarapã.

Segundo a enfermeira Ludelça Dorneles, da CIHDOTT (Comissão Intrahospitalar da Doação de Órgãos), após constatada a morte cerebral do paciente, a familia aceitou que os órgãos fossem doados e imediatamente todos os procedimentos para que o coração fosse captado foram feitas pela equipe do Hospital da Vida.

Além do coração, também foram captados, o figado, pâncreas, rins e córneas.

De acordo com o coordenador da CIHDOTT e médico nefrologista, Antônio Pedro, foi necessário um avião exclusivo para que o transporte do órgão chegasse em tempo hábil para o transplante, tendo em vista que após a retirada do coração é necessário que a equipe esteja em no máximo duas horas até o local onde será recebido, neste caso, em São Paulo.

Para ele, a logística é fundamental para o sucesso da captação até o transplante. “O coração tem que ser transplantado no máximo em quatro horas depois da retirada. Os rins duram mais de 30 horas e o pâncreas mais de 10 horas”, explicou a reportagem do Estado Notícias.

O coordenador ressaltou ainda a importância dos procedimentos adequados desde a logística até a estrutura hospitalar. “ A Secretaria Municipal de Saúde, através do secretário Renato Vidigal, sempre tem acompanhado de perto todos os procedimentos necessários para que se façam as captações de órgãos no HV”, enfatizou.

Aproximadamente duas captações são feitas por mês em Dourados.

VIDAS SALVAS

Na opinião do médico Antonio Pedro, as famílias que aceitam a doação de órgãos de seus familiares, após as captações se sentem muitos gratos, tendo em vista a ajuda para tantas pessoas que precisam desta iniciativa. “Esta pessoa que está recebendo o coração em São Paulo, por exemplo, provavelmente não sobreviveria até amanhã, se não transplantasse hoje”, considerou.

Já a enfermeira Ludelça Dorneles afirma que as maiores dificuldades na abordagem aos familiares é a desinformação com relação à doação dos órgãos. “Muitas vezes por desconhecer se o parente desejaria doar órgãos, os familiares acabam não aceitando, porém, a decisão final é sempre da família, independente do paciente ter informado ou não”, afirmou ao Estado Notícias.